A escorregadia metáfora do peixe: Uma leitura derridiana das pluralidades ontológicas no pensamento indígena acadêmico e na virada ontológica na antropologia
Publicado 2025-12-31
Palavras-chave
- Metáfora,
- desconstrução,
- pensamento indígena,
- pluralidade ontológica,
- comer
Como Citar
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Resumo
Este artigo examina criticamente a reivindicação, compartilhada pela virada ontológica na antropologia e por certas pensadoras indígenas no âmbito acadêmico, de tomar as afirmações ontológicas dos povos indígenas de forma literal e não metafórica. A partir das reflexões de Jacques Derrida sobre a impossibilidade de uma literalidade ou metaforicidade puras, sustento que essa distinção reproduz a metafísica da presença e o humanismo transcendental que estruturam o pensamento ocidental —precisamente aquilo que o pensamento indígena busca desmantelar, mas que o foco na ontologia tende a reinstaurar. Analisa-se a obra da acadêmica, artista e filósofa indígena Zoe Todd, que, por meio de sua “filosofia crítica indígena sobre os peixes”, propõe uma leitura literal das relações humano/animal em seu contexto. Ao colocar em diálogo a desconstrução, o pensamento indígena e a antropologia, argumento que a afirmação de múltiplas formas de ser — característica do giro ontológico — não escapa ao essencialismo ocidental e que é politicamente mais interessante reivindicar a multiplicidade dos modos de dizer do que a multiplicidade ontológica. Assim, propõe-se uma defesa da interpretação e da metáfora como formas de resistência, em particular através da reabertura da linguagem alimentar como campo filosófico e político.