Para além do consumo: Estética e política canibal na "Trilogia Antropofágica" de Tamara Cubas
Publicado 2025-12-31
Palavras-chave
- Metafísica canibal,
- dança contemporânea,
- dietética,
- decolonial,
- anticapitalista
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Resumo
Este artigo propõe uma reflexão, a pa rtir da Trilogía Antropofágica (2016/2017) da coreógrafa uruguaia Tamara Cubas, sobre a i ncorporação canibal como estratégia criativa estético-política que desafia as lógicas coloniais e capitalistas presentes na dança contemporânea. Busca-se estimular um modo de pensamento nutrido por a lianças subversivas, onde o c orpo se torna território de d isputa e potência epistemológica. A dança é abordada como espaço de experimentação para reinventar a relação com a alteridade, defendendo uma ontologia do apetite corporal na interseção entre políticas da memória, corpo-arquivo e autoria. O texto dialoga com os debates sobre a dietética como sistema de regulação dos apetites corporais e de submissão do desejo e do prazer ao governo da razão (Campos Salvaterra 2023), propondo que o sistema artístico institucional transforma a dietética em uma questão ontológica: proibir o ato de comer corpos implica proibir o ato de nutrir-se de outras epistemologias, de criar em termos próprios. A obra de Cubas emerge como aliada filosófico-corporal para reivindicar o apetite pela alteridade como gesto de resistência e aliança, e para repensar o corpo para além dos enquadramentos binários.